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Gigantes como Gideão

Mensagem Pastoral do Boletim de 03 de julho de 2016

A história de Gideão, relatada em Juízes 6-8, começa com um retrato vívido de um dos fatos mais notáveis da vida no Crescente Fértil do Rio Jordão: a migração periódica de povos nômades do deserto arameu para as terras habitadas da Palestina. Todas as primaveras, as tendas dos boiadeiros beduínos apareciam da noite para o dia como num passe de mágica, espalhados sobre as colinas e campos dos distritos agrícolas. Era inevitável o conflito entre esses dois modos de vida – criadores de gado e agricultores. No período bíblico, o grande número e as práticas guerreiras dos criadores de gado reduziram os aldeões quase à vassalagem. Os israelitas sofreram sete anos de opressão dos midianitas, que entraram em coalizão com os amalequitas, com os moabitas e outras tribos que atuavam juntas como verdadeiros “enxames de gafanhotos” – tal eram os pilhadores que fervilhavam por toda a terra para devastá-la.

O livro de Juízes é marcado por dozes ciclos na história do povo de Deus, numa “época em que não havia rei em Israel, e cada um fazia o que lhe parecia certo” (Jz 17.6; 21.25). Cada história de um ciclo começa da mesma forma: “Mas os israelitas voltaram a fazer o que era mau aos olhos do Senhor” (Jz 6.1), e termina conforme a decisão de cada tribo em cada situação. Portanto, todos os ciclos provam das conseqüências do rompimento da Aliança com Deus e da opressão dos inimigos. O ponto em comum das doze histórias é o amor incondicional de Deus e o resgate divino ao ouvir o clamor do povo em aflição, enviando um juiz-libertador. Gideão foi o quinto dos juízes, enviado para libertar o povo desse contexto de sete anos de opressão.

Dentre tantos fatores que podemos aprender desse ciclo, duas são as principais reações de Gideão que o destacam, tornando memoráveis os seus feitos. Em primeiro lugar,a reforma religiosa que começa na vida dele e se estende à sua casa – um homem reservado que vivia escondido, tal como os demais israelitas que estavam abatidos pela baixa autoestima diante das derrotas consecutivas ao longo dos anos, Gideão pede um sinal para o Anjo do Senhor que se apresenta diante dele, e constrói um altar em honra a Deus. Na mesma noite, destrói o altar a Baal que pertencia a seu pai, cortando também o poste ídolo. Em meio ao medo recorrente e avassalador (Jz 6.11, 6.27, 7.10-11), Gideão se enche de coragem por causa da Palavra e dos sinais do Senhor (Jz 6.17, 6.36, 7.15). A conversão desse homem tímido e medroso num valente e poderoso guerreiro se dá pela destituição dos ídolos que o impediam e paralisavam, e a fé na Palavra de Deus.

Em segundo lugar, a batalha vitoriosa que ficou famosa pelos 300 homens selecionados a dedo por Deus, que derrotaram cerca 130.000 midianitas em coligação com outros povos vizinhos. Como se não bastasse a desvantagem desproporcional de 1 israelita pra 433 midianitas, nem armas foram necessárias, mas apenas o toque das trezentas trombetas foi suficiente para o inimigo bater em retirada, pois é o Senhor que nos dá vitória nas batalhas! Depois que ele mesmo “levantou-se” de sua condição de autocomiseração, Gideão foi ao acampamento de Israel e gritou: “Levantem-se! O Senhor entregou o acampamento midianita nas mãos de vocês.” (Jz 7.15).

É a história de amor sem fim de um Deus por seus filhos/as que, a despeito da quebra da aliança, intervém ao ouvir o clamor do Seu povo, dando provas de Seu infinito amor reiteradas vezes – tantas quantas são as tribos de Israel. “Vá nessa força que você tem! É Deus que te envia!” (Jz 6.14).

Abraços e bênçãos, Pra. Joyce